
O Peeling químico envolve a aplicação de um esfoliante químico para atingir a epiderme e a derme e remover as lesões superficiais e melhorar a textura da pele. Vários agentes químicos ácidos e básicos são usados para produzir os variados efeitos do peelings químicos, leves, médios e profundos, por meio de diferenças em sua capacidade de destruir a pele. O nível de penetração, de destruição e de inflamação determina a profundidade do peeling.
A profundidade do peeling depende também do tipo de ácido ou técnica utilizada. Quanto mais agressivo for o ácido, mais profundo será o peeling, com conseqüente melhores resultados e maior risco de complicações. Os peelings superficiais, com ácido glicólico, por exemplo, propiciam uma descamação leve, retirando apenas as lesões mais superficiais da epiderme. Por ser menos agressivo, não necessita de repouso ou recuperação, podendo o paciente voltar às atividades no mesmo dia. No caso dos peelings médios eles são mais agressivos e efetivos que os peelings superficiais, pois ocorre uma descamação intensa, necessitando de 7 a 14 dias para a recuperação.
Os peelings profundos como os realizados com fenol, tricloracético ( TCA), laser, CO2,dentre outros, levam à formação de crostas, as quais demoram até 15 dias para caírem. São os peelings mais agressivos, necessitando anestesia para a realização. Por atingirem as camadas mais profundas da pele, propiciam os melhores resultados, mas também as maiores chances de complicações.
Segundo Ribeiro (2006) a esfoliação é também conhecida em francês como gomage, raspagem da pele ou peeling, do verbo inglês to peel (esfoliar).
A esfoliação ou peeling químico, para Drake (1995, p. 497)
Consiste na aplicação de um ou mais agentes esfoliantes químicos na pele, para o tratamento de certas doenças cutâneas ou melhoras estéticas. O processo resulta da destruição de porções da epiderme e/ou derme e a regeneração de novos tecidos dérmicos e epidérmicos.
Ou seja, um peeling químico utiliza uma substância esfoliativa aplicada à superfície da pele para remover as camadas epidérmicas ou, em alguns casos, dérmicas. Esse tipo de esfoliação, na área médica, também é conhecida como quimiocirurgia, quimioesfoliação ou resurfacing químico.
Existem três ‘potências’ de peeling químico que, segundo Robles (2004), classificam-se em: superficial, aquele que atua na epiderme; médio, o que atua até o nível das papilas dérmicas e o profundo que penetra até a derme reticular.
Já para Mark e Rubim (1995, p.47),
O peeling superficial consiste na destruição de qualquer parte da epiderme até a derme papilar; o peeling de média profundidade é a destruição que se estende até a derme reticular superior; e os peelings profundos, a destruição que se estende até a derme mesorreticular.
Segundo a classificação dos autores, quanto ao peeling superficial, pode ocorrer uma esfoliação que promove um afinamento ou remoção do estrato córneo e não criam lesão abaixo do estrato granuloso; ou no máximo uma necrose da parte ou de toda epiderme, em qualquer parte do estrato granuloso até a camada de células basais.
Monheit (1999, p.670) complementa:
A estimulação do crescimento epidérmico mediante a remoção do estrato córneo sem necrose consiste num peeling superficial leve. Por meio da esfoliação, espessa a epiderme com alterações regenerativas qualitativas. A destruição da epiderme define um peeling químico superficial completo, induzindo a regeneração da epiderme.
Considera-se a pele um órgão dinâmico, em constante crescimento, em que as células dividem-se na camada basal da epiderme e começam sua jornada para cima, em direção à camada mais superior, o estrato córneo. À medida que novas células continuam a crescer, as células antigas do estrato córneo desprendem-se. Essa esfoliação de células do estrato córneo é um evento diário e, para Mark e Rubim (1995, p.48),
O peeling químico consiste basicamente em uma forma acelerada de esfoliação induzida pelo uso de um cauterizante químico ou agente escarificador. Agentes descamativos muito leves induzem uma esfoliação mais rápida das células no estrato córneo, ao passo que agentes esfoliantes mais profundos provocam necrose e inflamação na epiderme, na derme papilar ou na derme reticular.
Brown (1999), a respeito dessa renovação, refere que as células sobem lentamente e vão perdendo seu núcleo e morrem, e esta camada externa conhecida como estrato córneo – é descartada, então, de modo imperceptível, desfazendo-se em partículas microscópicas durante a atividade diária. Esse processo, por sua vez, desencadeia a produção de novas células cutâneas na camada profunda, e complementa o raciocínio afirmando que:
Quando a pele sofre um ferimento, o processo acelera-se para produzir novas células em substituição às que foram danificadas. Esse ciclo de substituição torna-se mais moroso com o avanço da idade, uma vez que as células se tornam mais lentas em todos os seus processos, menos capazes de se dividir e menos hidratadas (BROWN, 1999, p. 33).
Isso significa que o peeling, por estímular a produção de novas células, gera também efeitos benéficos na pele, que Mark e Rubim (1995, p.50) relacionam essas alterações por três mecanismos:
- Estimulação do crescimento epidérmico mediantes a remoção do estrato córneo. Mesmo descamações muito leves que não causam necrose na ‘epiderme viva’ podem induzir a epiderme a espessar-se.
- Destruição de camadas específicas da pele lesada. Ao destruir as camadas e substituí-las por tecido mais “normalizado”, obtém-se um melhor resultado estético. Isso é especialmente verdadeiro no tratamento de anormalidades de pigmentação e de ceratoses actínicas.
- indução de uma reação inflamatória no tecido mais profundo que a necrose provocada pelo agente esfoliante. A ativação de mediadores da inflamação (por um mecanismo pouco compreendido) pode induzir a produção de colágeno novo e de substância fundamental na derme. As lesões epidérmicas podem induzir a deposição de colágeno e glicosaminoglicanos na derme.
No entanto, os mecanismos gerados através do peeling levam a produzir uma melhor circulação da pele, melhorando assim todas as funções, inibe a atividade das colagenoses e com isso induz a degradação de colágeno na epiderme papilar. Os fibroblastos na derme papilar são estimulados, o que leva a um fortalecimento estrutural da membrana basal. A pele fica mais resistente à tração e ao trauma, havendo uma redução considerável na fragilidade da pele.
Os mesmos benefícios são observados por Draelos (1991) quando afirma que a pele não agredida pelo sol se caracteriza por seu aspecto sem manchas, pigmentação homogênea e textura macia. Com o passar dos anos, a velocidade de renovação celular diminui,e o peeling é um procedimento que visa a acelerar o processo de esfoliação cutânea, promovendo a remoção celular, pelo uso de substâncias químicas. Dessa forma, a pele readquire o aspecto mais jovial e renovado.
Para Jimbow et al (1974, p. 49) alertam que os processos de clareamento, homogeneização, correção e estimulação podem ter uma eficácia aumentada quando usados após a remoção do estrato córneo, por remover a camada basal sem afetar a barreira funcional da pele melhorando a penetração dos produtos como tretinoína e a hidroquinona nas camadas mais profundas da pele, além de que essas substâncias, com seu importante efeito intracelular,regulam as funções de ambos queratinócitos e melanócitos.
Fundamentando-se na visão incomum dos autores a respeito dos efeitos do peeling tem importante significado na atuação como promotores de penetração e permeação cutânea dos ativos,além desse procedimento resultar no processo de renovação celular intenso, normalizando a pigmentação da pele, atenuando marcas e minimizando rugas.
Fonseca e Nogueira (2000) conceitua agentes de ação queratolítica aqueles produtos que contêm substâncias capazes de provocar amolecimento da queratina e despregamento ou separação das diferentes camadas celulares que constituem a camada córnea (esfoliação), que tem a finalidade de ´´amolecer`` a camada córnea e possibilitar a passagem e penetração das substâncias ou ativos que juntamente estejam incorporados.
Moy (1994) ainda complementa esse conceito de Fonseca e Nogueira (2000) ao referir que o peeling possibilita a penetração de agentes clareadores utilizados em domicílio em peles com lesões hiperpigmentadas:
Para o tratamento das lesões hiperpigmentadas da pele, devemos agir com extrema cautela e praticar ´´peeling´´, altamente superficiais, com o objetivo claro de obter somente uma ligeira quebra da coesão dos corneócitos superficiais. Isto é o bastante para que a pele possa receber medicação domiciliar a ser aplicada três dias após o peeling. Essa quebra da integridade da camada córnea, facilita a penetração dos agentes bloqueadores da enzima tirosinase, responsável pela produção da melanina (MOY, 1994, 19).
Copyright©JanaTorres2007
Jocilton Campos Tavares
ResponderExcluire-mail: campwhite@hotmail.com
Gostaria de saber quais os riscos para a saúde quando se é feito uma esfoliação média a profunda na pele com os produtos químicos que são utilizados para este fim. Existem pesquisas que foram feitas no sentido de se conhecer quais são os riscos.
No caso do Michael Jackson, as dores que ele sentia tinha alguma relação direta com o clareamento que ele realizou na pele?
Por favor, gostaria muito que me enviassem estas informações e onde posso adquirir mais informações relevantes sobre clareamento e esfoliação.
Atenciosamente,
Jocilton Campos Tavares