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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Peeling Químico Superficial Como Intervenção no Melasma












O peeling superficial tem ação na epiderme, utilizando-se como substâncias ativas os alfa-hidroxiácidos (AHAs), como: glicólico, málico, lático, tartárico e cítrico e os beta-hidroxiácidos (ácido salicílico), ácido fítico, ácido azeláico, solução de Jasser, entre outros, além de suas combinações. É indicado para casos de acne, fotoenvelhecimento leve, eczema hiperquerostática, queratose actínica, rugas finas e melasma.

Conforme referido por Brady (2000), os peelings superficiais podem melhorar o aspecto dos distúrbios pigmentares que são mais profundos do que a lesão produzida pelo agente esfoliante, permitindo a penetração mais profunda dos agentes branqueadores aplicados entre as sessões de peeling.

Os alfa- hidróxiácidos, especialmente o ácido glicólico, em concentração de até 20%, provocam desprendimento dos corneócitos, na junção com o estrato granuloso, resultando na descamação dos níveis inferiores, recém formados do estrato córneo. Esse desprendimento mais uniforme do estrato córneo pode ser específico dessa classe de compostos e não é produzido pela irritação cutânea e por ceratólise (eliminação do extrato córneo do seu nível mais superficial para baixo).

Mark e Rubim (1995) complementam sobre os alfa hidroxiácidos conhecidos como ácidos de frutas, por serem derivados de frutas, sendo que estes produtos costumam ser usados em concentrações de 8% a 15%, como parte de um esquema diário de cuidados com a pele; contudo, também podem ser usados como esfoliantes.

Quando se fala de peeling com AHA, em geral, refere-se ao ácido glicólico, visto que sua utilização é bem freqüente. No entanto, temos exemplo de ácido lático, cítrico, málico, tartárico e mandélico.

Os AHAs fazem parte de um grupo de substâncias utilizadas nessas categorias de peeling. São compostos derivados do leite (ácido lático), de frutas cítricas (ácido cítrico), de maçãs (ácido málico), de uva (ácido tartárico) e cana-de-açúcar (ácido glicólico), mas também podem ser de origem sintética. Diferenciam-se pelo tamanho da molécula, sendo menores as do ácido glicólico e, portanto, com maior poder de penetração na pele. São eficientes no tratamento de rugas, desidratação, espessamento e pigmentação irregular da pele.

O ácido glicólico pode ser utilizado sozinho ou em combinação com outras substâncias, em alguns peelings faciais (COLLEMAN e FUTRELL, 1994). Como agente esfoliante, em vez de um produto para o cuidado diário da pele, o ácido glicólico que se encontra em concentração de 30% a 50% costumam ser aplicado por esteticistas, cosmetólogos ou enfermeiros, enquanto os peelings em que se utiliza o ácido glicólico, nas concentrações de 50% a 70%, geralmente, são realizados por médicos.

Para se alcançar a profundidade desejada, o ácido glicólico utilizado no peeling (e os demais AHA) precisam ser neutralizados para interromper sua ação. Como a profundidade da descamação com ácido glicólico depende de tempo, ao se neutralizar uma descamação com ácido glicólico a 70%, rapidamente, é possível obter uma descamação da mesma profundidade e com os mesmos resultados daquela feita com ácido glicólico a 50%, deixada na pele por mais tempo. Portanto, é mais seguro começar usando ácido glicólico a 50%, deixado na pele por um período mais prolongado do que iniciar com ácido glicólico a 70% que deve ser removido em neutralizado rapidamente, para prevenir a descamação excessiva. (BRADY, 2000).

A técnica de aplicação do ácido glicólico, para o tratamento do melasma, deve ter o objetivo de provocar somente uma ligeira quebra da coesão dos corneócitos superficiais, sendo o bastante para que a pele possa receber medicação domiciliar despigmentante a ser aplicada três dias após o peeling; essa quebra da integridade da camada córnea facilita a penetração dos agentes bloqueadores da enzima tirosinase, responsável pela produção da melanina (VAN SCOTT e YU, 1989, p. 108).

Para que isso aconteça, é necessário medir o desenvolvimento do eritema (quanto maior o grau do eritema, maior será o grau de penetração.

Segundo Moy e Moy (1996), deve-se evitar a formação de eritemas fortes em pacientes em programa de tratamento de melasma (cloasma). Esses autores complementam afirmando que a aplicação de ácido glicólico deve ser feita de forma uniforme sobre a superfície da pele a ser tratada e removido quando o paciente relatar os primeiros sinais de ardor. Antes, a pele deve estar totalmente limpa, livre de gorduras. Sua neutralização pode ser feita com uma solução de bicarbonato de sódio que libera dióxido de carbono, em forma de bolhas ou efervescência na superfície da pele.

Para Rubim (1995), a concentração ideal de ácido glicólico a ser adotada inicialmente, por ser mais segura, é de 30%. Na medida do possível, sua concentração deve ser aumentada. Brady (2000) complementa que, em geral, são realizadas várias vezes, a fim de obter melhor desempenho com a esfoliação semanal, quinzenal ou mensal da epiderme, podendo melhorar o aspecto da pele.

Segundo Brady (2000), o ácido lático a 70% tem ação mais lenta, como agente epidermolítico. Concentrações mais baixas do ácido lático de 5% a 20% causam desprendimento dos corneócitos e subseqüente dos níveis mais inferiores do estrato córneo recém-formado. Esse ácido é convertido por mecanismos fisiológicos em ácido pirúvico que é um alfa-cetoácido. O ácido salicílico é um beta-hidroxiácido, apesar de não ser aceita essa classificação química, uma vez que este é formado por um grupo carboexila e um álcool ligados diretamente, num anel aromático (DITRE, 2005).

Kligman (1996) sugere uma solução esfoliante de ácido salicílico a 35% em etanol, aplicada na face com cotonetes, para melhorar os comedões e clarear a pigmentação. Essa solução causa sensação discreta de picadas durante três minutos, seguida de anestesia superficial ao toque suave. Após cinco minuto secando ao ar livre, a face é lavada com água. A esfoliação é tardia começando entre o terceiro e quinto dia e estendendo-se por dez dias. O eritema e o edema são mínimos e o peeling pode ser repetido a cada duas a quatro semanas.

O peeling de Jessner é um tratamento químico destinado a remover camadas superficiais da pele. É usado para ajudar a secar acne ativa, diminuir rugas e cicatrizes superficiais e clarear manchas escuras, hiperpigmentadas da pele.

A combinação do resorcinol com ácidos salicílico e lático em etanol foi desenvolvida pelo Dr. Max Jessner para reduzir a concentração e os efeitos tóxicos de todos esses compostos e aumentar seus efeitos como agente ceratolítico.

O resorcinol é um isômero do catecol e da hidroquinona Ele está relacionado estrutural e quimicamente à com o fenol. Solúvel em água, álcool, éter e gorduras, o resorcinol em solução alcalina apresenta grande afinidade pelo oxigênio e é um agente redutor.

Goldman et al (1995), diz que no final do século XIX, Unna descreveu o uso da pasta de resorcinol como agente esfoliante nas concentrações de 10% a 30%. Na França, Letessier apud Goldeman et al (1995) modificou sua fórmula para tratar acne, melasma e dermato-heliose, usando resorcinol a 50%. Letessier (op. cit.) evitava o eritema excessivo usando anxungia, um derivado da gordura de porco ou tocinho destinado ao uso médico, acrescentado a uma terra argilosa (ceissatita), para conseguir homogeneidade. O termo ceissalita é derivado da cidade francesa em que se originou e é semelhante ao caulim usado na mistura americana.

Segundo Monheit (2004), além das pastas de peeling, o resorcinol tem sido usado nas concentrações de 10% a 50% em éter ou álcool, para tratar distúrbios de hiperceratose e promover esfoliação.

A aplicação da solução de Jessner, também conhecida como peeling de Combe, causa lesão epidérmica sem formação de vesículas detectáveis ao exame clínico. Essa combinação de resorcinol com ácidos salicílico e lático, em solução alcoólica causa apenas separação do extrato córneo, com edemas intracelular e intra-epitelial da camada superior da epiderme, quando o agente esfoliante é aplicado em três camadas, com dois cotonetes, não há alterações detectáveis na derme, segundo Brody (2000).

Antes de aplicar a solução, a pele deve ser limpa com álcool e, em seguida, ácido glicólico. Aplica-se a solução à pele com gaze, cotonetes ou escova pequena. Como a solução é uma combinação de ácidos leves, em geral, ocorre algum ardor durante a aplicação. Após aplicar a solução, a face pode ficar com áreas esbranquiçadas, conhecidas como enregelamento. Isso mostra que a solução está agindo e, em geral desaparece em 15 a 30 minutos. A face pode parecer levemente mais avermelhada que o normal, durante algum tempo após o tratamento.

Na maioria dos casos, a descamação costuma ocorrer entre o segundo e o quinto dia, após o tratamento. É provável que a pele fique muito seca e possam surgir algumas pequenas rachaduras. Em geral, a área descamada irá parecer como se tivesse sofrido uma queimadura solar discreta ou moderada.

O número de camadas aplicadas, da solução, varia de acordo com o tipo da pele. Não há limite para o número de descamações às quais uma pessoa pode se submeter, na medida em que a melhoria prossegue. O número de aplicações necessárias para determinado problema varia de acordo com a pessoa, entretanto, esses peelings deverão ser espaçados em intervalos de 2 a 4 semanas.

Rubim (1995) relaciona, da seguinte forma, as vantagens do peeling com solução de Jessner:
1. São muito superficiais e raramente aprofundam-se mais que o esperado. Portanto, um peeling de Jessner é uma escolha segura para pacientes de pele fina e sensível.

2. Proporciona uma esfoliação de profundidade razoavelmente uniforme, ao contrário dos AHAs.

3. Provocam uma boa quantidade de esfoliação. Isso é útil no tratamento de discromias, quando se está tentando diminuir o número de ceratinócitos que contêm melanina.

4. Como a concentração de resorcinol na solução de Jessner é baixa, há menos risco de toxidade do que em um peeling com resorcinol na concentração regular.

Fórmula da solução de Jassner:

· Ácido salicílico – 14g
· Resorcinol – 14 g
· Ácido lático – 14 g
· Etanol para complementar -100ml

O ácido fítico é um outro esfoliante que possui efeitos semelhantes aos AHAs. É um componente natural das plantas, que nas concentrações de 3% a 10% têm uma valiosa propriedade esfoliativa. A vantagem do ácido fítico sobre os AHAs é sua capacidade de agir em baixos PHs sem causar irritações ou desconforto.

Em estudos do ciclo metabólico celular, o ácido fítico demonstrou uma eficácia superior à dos AHAs, bem como demonstrou ser menos agressivo em testes com emplastos de 48 horas de ação. O ácido fítico demonstrou ser benéfico em indivíduos de pele escura, hispânicos e também em pessoas com pele sensível que não tolera a ação dos AHAs.

Como regra geral não há necessidade de anestesia para peelings superficias. Embora a tolerância dos pacientes ao procedimento seja extremamente variável. Um uso de abanador, e algumas palavras de estímulo por parte do profissional, é tudo que o paciente precisa.

É importante o paciente der comunicado do ardor ou queimação associados ao peeling, que variam de acordo com diferentes substâncias e concentrações químicas empregadas. Portanto, se trocar de agentes esfoliantes em peelings subseqüentes no mesmo paciente, ele irá ter sensações diferentes.Contudo,todos os esfoliantes superficiais causam desconforto transitório que persiste apenas por 15 a 30 minutos,no máximo.
Copyright©JanaTorres2007

12 comentários:

  1. Oi, gostaria de saber qual o peeling realizado mesta paciente da foto, pois estou pensando em fazer com solução de Jessner e espero uma melhora como a dela. Todavia, gostaria de me preparar para o caso da reação de coloração e descamaçãoser tão forte assim.
    Obrigada,

    Letícia

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  2. Primeiro devemos avaliar o tipo de melasma, para daí indicar o peeling necessário, de forma que este procedimento atue favorecendo na eliminação do extrato córneo, consequentemente no aumento da permeabilidade do despigmentante utilizado em casa pela cliente.
    Esta solução de Jessner é difícil avaliar o grau de permeabilidade,porém através do número de camadas aplicadas será sua descamação conseguida.
    Entre em contato com o atendimento da Clínica Jana torres para conversarmos pessoalmente.Estou disponível no número: 85- 3264-7060
    Jana.

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  3. Fiz um peeling facial e a dra.colocou uma mascara no meu rosto e disse pra mim deixar durante 4 horas depois lavar com agua e sabao e aplicar o protetor,fiz direitinho,mas meu rosto esta bem avermelhado como se eu tive queimado,isso e' normal? Por favor me responda,obrigado.

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  4. Estou fazendo um tratamento com peelingde acido kojico ACIDO GLICOLICO ACIDO FITICO. Todos os dias pela noite durmo com o produto por ser de 5% cada na combinação eu posso pedir para a minha esteticista utilizar a soluçao de jessner tambem ou nao pode, por se muito forte?

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  5. Oi!

    Até que concentração posso usar o ácido glicólico em casa?

    Márcia

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  6. Tratando-se da paciente da foto, gostaria que me informasse o tempo decorrido entre a 1ª foto e a última.
    Grata,
    Alzira Vinhas

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  7. Depois de aplicado, qtos dias ele ainda fica descamando.

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  8. Olá, Jana! O site da sua clínica não está mais no ar? Tentei acessá-lo a partir do banner/ link aqui no blog mas não entrou.

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  9. Olá! parabéns pelo blog! É o melhor que encontrei.
    o meu caso é bem complicado e já procurei varios dermatos e não resolveram.
    Tenho a pele negra que mancha muito fácil e a mais de 10 anos umas manchas escuras na perna que me causam muito encomodo.Já usei hidroquinona mas elas voltaram em pouco tempo.
    Fiquei interessada nesses procedimentos citados acima e gostaria e saber se são indicados p meu caso.Espero sua resposta.
    obrigada

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  10. Olá fiz o pelling de Jessner e apareceram manchas vermelhas e apos 4 semanas elas estao escuras.Uso fiiltro solar sempre e evito o sol.O que devo fazer além de usar hidroquinona 4%.
    Será que posso fazer outro pelling para melhorar a minha situação.por favor me responda.

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  11. tenho queratose,ja fiz um peeling de jessner,minha pele melhorou 60% , estou passando em casa a loção beatriz que é um mini-peeling, recomendo o peeling de jessner,diminuiu quase que por completo minhas manchas.

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  12. Fiz esse peeling de Jessner,realmente ele é bom...Quem tem manchas nas pele,tem que ter paciencia e ir fazendo os peelings cautelozamente,ter muita paciencia para o resultado,e cuidados em casa,com bons hidratantes.Realmente ele esfolia bem a pele,eu estou fazendo nas pernas,pois tive algumas manchas pos- inflamatoria.Mais vale a pena,basta ter paciencia.

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